Petróleo em alta deve pressionar inflação no mundo

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14
jul

Países emergentes terão que subir juros. Reaquecimento da economia após crise será prejudicado

A turbulência política no Oriente Médio, especialmente na Líbia, derrubou as principais bolsas de valores do mundo e fez o preço do barril do petróleo chegar a mais de 105 dólares nesta terça-feira. A situação sinaliza um alerta às autoridades monetárias e fiscais de países emergentes e desenvolvidos, que, de acordo com economistas ouvidos pelo site de VEJA, terão duas alternativas para minimizar a contribuição da alta do petróleo nos indicadores de inflação: reduzir de maneira eficiente os gastos públicos ou elevar as taxas de juros. A segunda opção, para os analistas, será a mais plausível.

O consistente aumento do preço do petróleo, que caminha rapidamente aos níveis do pré-crise, se deve a dois fatores. Primeiro, um fator estrutural relacionado à expansão da demanda global em ritmo superior à oferta. “O ganho real dos trabalhadores nos países emergentes, como Brasil e China, pressionou a demanda por commodities”, corroborou Ernesto Lozardo, economista da Fundação Getúlio Vargas. E segundo, conjuntural, em decorrência dos conflitos nos países do Oriente Médio, como Egito e, agora, a Líbia, que produzem petróleo e gás natural e controlam uma importante rota de distribuição do produto para outros países do mundo, o Canal de Suez. “As crises na região anteciparam de maneira violenta o crescimento previsto para o preço do barril”, afirmou Adriano Pires, especialista em petróleo.

O reflexo do desequilíbrio político nos países árabes na economia global se delineará em forma de pressão inflacionária, tanto nos países emergentes quanto nos desenvolvidos. “O aumento da inflação trará como conseqüência ou um aperto monetário, com taxas de juros ainda maiores nos países emergentes e políticas menos frouxas nos desenvolvidos, ou um fiscal, baseado na contenção de gastos. O Brasil deve seguir pelo caminho da alta dos juros, o que desacelerará a economia”, ponderou Roberto Padovani, analista do banco West LB.

Nesta terça-feira, o preço do barril de petróleo tipo WTI e Brent, respectivamente cotados nos Estados Unidos e na Europa, chegou a 94,49 dólares e 106,39 dólares, depois de atingir 108 dólares – maior patamar desde setembro de 2008 -, nos contratos que se encerrarão entre março e abril, ao passo que os índices das bolsas de valores de Hong Kong (-2,11%), Londres (-0,3%), Nasdaq (-1,35%) e São Paulo sofreram contração.

Recessão – A previsão é de que os conflitos no Oriente Médio perdurem por tempo indeterminado, bem como a alta da commodity. “A manutenção do preço do barril de petróleo acima dos 100 dólares acontecerá por meses a fio. Isso, com certeza, impactará na estrutura de custos dos países”, pontuou Marcio Garcia, professor de finanças internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Alguns economistas, incluindo o apocalíptico Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova York que previu a crise financeira no setor imobiliário americano, acreditam que este peso do aumento do preço do petróleo na estrutura de custos dos países será suficiente para ocasionar outra recessão nos países desenvolvidos.

Pelo fato de o petróleo guiar o valor de outras commodities, como ferro e açúcar, e ser o coração da economia mundial, Adriano Pires argumenta que um aumento nas taxas de juros em países que já sofrem com o crescimento fraco, como é o caso dos Estados Unidos, será determinante para que mais uma onda de prejuízos prejudique a economia mundial.